domingo, 25 de setembro de 2016

Vontade de ajudar

Lúcia, de sete anos, foi visitar seu avô Manoel que estava doente e, ao vê-lo, sentiu uma grande piedade dele. Como Deus, que era tão bom, permitia que seu avô sofresse tanto? — pensava ela.
Ao vê-la com lágrimas nos olhos, a mãe abraçou-a, sentou-se com ela no sofá da sala, e quis saber:
— Por que está tão triste, filhinha?
A menina levantou os olhos cheios de lágrimas e respondeu:
— E não é para estar triste, mamãe? Meu avô, que eu amo tanto, está doente, sofrendo e não posso fazer nada para melhorar a situação dele!... Por que Deus, que é nosso Pai, deixa meu avô sofrer desta maneira?!...

A mãe abraçou-a ainda mais apertado, embalou-a em seus braços, depois respondeu:
— Filha, existem situações que não podemos evitar. Todos nós teremos que passar por problemas na vida, pois faz parte da programação da nossa existência aqui na Terra. Cada um vai enfrentar aquilo que merece, de acordo com suas necessidades de mudança interior, a fim de tornar-se alguém melhor, mais cheio de amor pelos seus semelhantes.

— Ah! Quer dizer que, se a pessoa precisa sofrer, é melhor que o sofrimento dele seja mais rápido para que se liberte dessa situação?!...

A mãe entendeu o modo de pensar da filha, mas explicou:
 — Filha, eu entendo o que você está pensando, porém não é assim que tudo funciona. Se alguém está sofrendo, devemos sempre procurar amenizar sua dor, e não pensar que seria melhor que sofresse rápido, para ver-se livre do problema.
— Por que não, mamãe?
— Pense comigo. Se seu cãozinho Belo estivesse doente, o que você faria?
— Eu o levaria ao veterinário, que, vendo o que ele tem, lhe daria o remédio para curá-lo!
— E depois?

— Depois, ao voltar para casa, eu cuidaria bem dele para vê-lo mais animado e feliz!
A mãe sorriu da resposta da filha e confirmou:
— Você está certa, Lucinha. Temos que cuidar bem do nosso animalzinho de estimação. Mas, e se fosse o Fofo, seu gatinho, que estivesse doente? — indagou a mãe.
— Ah, eu faria a mesma coisa. Eu o levaria ao veterinário, e depois cuidaria dele para que ficasse bom logo!
—— Perfeito, Lucinha. Então, por que com o vovô você deseja que lhe sejam aumentados os sofrimentos, quando podemos aliviá-los?
A menina ficou pensativa durante alguns instantes, depois respondeu:
— Ah, não sei mamãe. Achei que o vovô, pagando logo sua dívida, seria mais feliz!
— Sem dúvida. Pagando suas dívidas, seu avô será mais feliz, terá mais tranquilidade e paz nessa vida. Porém, não podemos pensar que devemos aumentar-lhe os sofrimentos para que pague logo sua conta com a Justiça Divina. Devemos pensar: Que meio Deus colocou em meu auxílio para amenizar o sofrimento do vovô?
— Ah, entendi, mamãe! Quer dizer que devemos fazer tudo para ajudar o vovô a não sofrer assim, não é?  
— Isso mesmo, querida. Se o vovô tem que passar por dificuldades, o que podemos fazer para ajudá-lo a não sofrer tanto?
A garotinha pensou, pensou... depois respondeu:
— Temos que cuidar dele, ajudá-lo a comer, dar-lhe água, fazer carinhos e, quando ele quiser dormir, cantar para ele dormir!... Tem uma música que vovô sempre cantava para mim na hora de dormir. Agora, eu vou cantar para ele!
A mãezinha concordou, dando um beijo na filha.
Mais tarde, à hora de dormir, Lúcia, que estava perto do vovô Manoel, viu que ele estava com sono e começou a cantar a cantiga de ninar que ela mais gostava. Aproximou uma cadeira e, subindo nela, ficou da altura do vovô deitado. Então, como via sua mãe fazer, estendeu os braços com muito amor, como se aplicasse um passe, e começou a cantar...

Logo o avô estava dormindo e elas saíram do quarto para que ele ficasse tranquilo.
Na manhã seguinte, ao acordar, a pequena Lúcia correu ao quarto do vovô para saber como ele tinha passado a noite, e o avô deu um sorriso, dizendo:
— Minha netinha, você me ajudou muito ontem!

Cantou para mim, porém, mais do que cantar, você aplicou-me um passe, e eu dormi bem, como há muito não acontecia. Obrigado, viu? Vovô está muito bem hoje, graças a você!...
A garotinha subiu outra vez na cadeira e deu um grande abraço no vovô, dizendo:
— Que bom, vovô! Então, todas as noites eu vou cantar para você e aplicar passe!
A mãe, que entrara no quarto e ouvira a conversa, disse para o pai:
— Papai, assim o senhor vai fazer minha filha pensar que realmente o ajudou!... Ela é uma criança e vai sentir-se vaidosa!
O pai olhou para a filha e respondeu risonho:
— Pois é verdade! Lucinha cantou e aplicou-me um passe. Hoje estou sem dores e dormi muito bem!... Pode acreditar, minha filha!...
A mãe, surpresa, olhou para a pequena, que estava de olhos arregalados, e agradeceu:
— Obrigada, filhinha, por ter ajudado o vovô. Jesus ouviu nossas preces, atendendo-nos através de você!...              
MEIMEI 

(Recebida por Célia X. de Camargo, em 19/10/2015.)  

_________________________________________________________________________

>>Home      >>Histórias-Português