quarta-feira, 8 de junho de 2016

A Educação Religiosa dos Filhos

Como Educar os Filhos?

Cecília Rocha



“Diversas teorias sobre educação preocupam pais e educadores na época atual, quando surgem tantos questionamentos e contestações sobre princípios, até agora, considerados inquestionáveis. [...]

Ninguém mais tem dúvidas sobre a necessidade de ensinar a pensar. Numa sociedade onde a pletora de conhecimentos, de informações chega a culminâncias inimagináveis, ensinar a pensar tornou-se, de fato, uma imposição nos métodos educativos.

Não basta e nem é conveniente nos métodos encher a cabeça do estudante de informações, sem lhe ensinar a raciocinar sobre elas, dando-lhe condições de selecionar esse material e sobre ele emitir juízos de valor. Os conhecimentos devem funcionar como um reativo intelectual e não se destinar, apenas a armazenamento de dados, como se o cérebro humano não passasse de um simples depósito. O ensino, pois, deve ser conduzido no sentido de forçar o educando a refletir e a formar opinião própria, a partir das informações que lhe são fornecidas ou dos dados que a sua observação selecionou. [...]
Os meios de comunicação, mesmo não intencionalmente, saturam as mentes imaturas de informações, tornando difícil, nessa ênfase de crescimento, o processo de seleção, mesmo porque não há, ainda, parâmetros para tal.

A educação familiar, isto é, aquela que orienta a formação do caráter, é da alçada dos pais e deve estar impregnada dos valores por eles aceitos. Portanto, à família e à escola cabe oferecer o tipo de material que servirá de base à atividade de reflexão do educando. Este receberá sempre influências externas e opostas, muitas vezes, às recebidas nas família, mas haverá, com certeza, prevalência dos valores e dos conceitos que a família lhe tenha oferecido.

Torna-se necessário, assim, que os pais compreendam que lhes cabe, sem sombra de dúvida, atribuição natural da seleção de valores e de informações que devem dar aos filhos e das quais não podem abrir mão. Sem descurar do aspecto e da necessidade de ensinar a pensar, os pais devem, ao mesmo tempo, oferecer aos filhos o que pensar, até que eles, atingida a maturidade, escolham seu próprio material.

Enquanto não chega esse momento, cabe-lhes encaminhá-los complicados meandros do raciocínio e do discernimento. Realizada essa tarefa, os pais estarão quites com suas obrigações, uma vez que cada um tem o seu livre-arbítrio e toma as suas decisões, quando atinge a maturidade. [...]

Em razão disso, é por demais evidente que os pais espíritas, como todos os outros, pais pertencentes a outras correntes de pensamento, têm o dever de orientar os filhos dentro do princípios éticos, religiosos ou filosóficos que orientam seus próprios passos na trajetória terrena.

O pai espírita, portanto, que é indiferente à orientação da prole dentro dos ensinamentos do Espiritismo, não está sendo coerente com os seus princípios, e demonstra grande e perniciosa indiferença em relação ao que é mais importante aos próprios filhos. Ele só não deve intervir na orientação dos filhos se estes já tiverem atingido a maturidade. Fora disso, é sua obrigação intransferível transmitir os conhecimentos espíritas à família, educando-a de acordo com a concepção de vida que o Espiritismo descortina.

Nenhum pretenso escrúpulo de cerceamento da liberdade de pensar deve diminuir a determinação dos pais nesse sentido, pois já vimos que as vacilações na escolha do tipo de educação religiosa a ser seguida têm favorecido a interferência de terceiros numa tarefa que de exclusiva responsabilidade da família.

Conscientizemo-nos de que os Espíritos que reencarnam num lar espírita necessitam, mais do que tudo, da orientação que o Espiritismo pode oferecer. De outro modo, teríamos que admitir que retornamos à Terra sem nenhum planejamento, navegando no mar da vida, ao sabor das ondas, sem rumo, sem bússola, sem recursos para refazermos o passado e avançar para o futuro de passo firme e certo.

O Espiritismo, que revive as lições de Jesus, é a melhor herança a ser deixada aos filhos, se na realidade já entendemos o alcance que a Doutrina Espírita tem na reconstrução da sociedade humana, cada vez mais carente de compreensão e de paz.
Eduquemos, com o maior empenho, nossos filhos, dentro dos princípios espíritas, sem receios, sem vacilações, convencidos de que estamos colaborando para a sua efetiva felicidade e para a regeneração do mundo.”

Rocha, Cecília. Pelos Caminhos da Evangelização. Rio de Janeiro: FEB, 2008

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