sábado, 28 de fevereiro de 2015

Escolhendo e Estudando a história

Escolhendo e Estudando a história

A escolha

É preciso muito esforço e dedicação para estudar o mundo a que pertencem nossas crianças.
O excesso de apelos a que a criança está sujeita nos dias de hoje faz com que diversas outras fantasias despontem no seu cenário (infelizmente quase nenhuma delas objetivando construir algo positivo no comportamento da criança) e nós não podemos ficar indiferentes a essa situação.
Temos de pesquisar, ler literatura especializada, feita para elas, conhecer seus heróis, sejam eles pertencentes aos desenhos animados ou histórias em quadrinhos, assistir a filmes, conhecer suas brincadeiras e preferências. É só desta forma que saberemos escolher, dentro de um repertório conhecido, qual história se adapta àquele comportamento que desejamos (ou precisamos) abordar.
A pesquisa, o teste e o treino farão com que de uma história se chegue a outra e, com alguma habilidade e dedicação, estaremos aptos a fazer adaptações à técnica desejada ou mesmo criar nossas próprias histórias.

Quanto ao tema podemos recorrer a diversas fontes:   ...>>



história de fadas, que usam a fantasia
fábulas
lendas folclóricas
passagens bíblicas
fatos históricos
fatos do cotidiano
narrativas de aventuras

Para orientar a escolha dos textos úteis é importante saber exatamente os assuntos preferidos relacionados às faixas etárias:

Até 3 anos: Histórias de bichinhos, de brinquedos, animais com características humanas (falam, usam roupa, tem hábitos humanos), histórias cujos personagens são crianças. 

Entre 3 e 6 anos: Histórias com bastante fantasia, histórias com fatos inesperados e repetitivos, histórias cujos personagens são crianças ou animais

7 anos: Aventuras no ambiente conhecido (a escola, o bairro, a família, etc.), histórias de fadas, fábulas.

8 anos: Histórias que utilizam a fantasia de forma mais elaborada, histórias vinculadas à realidade.

9 anos: Aventuras em ambientes longínquos (selva, oriente, fundo do mar, outros planetas), histórias de fadas com enredo mais elaborado, histórias humorísticas, aventuras, narrativas ele viagens, explorações, invenções.

10 a 12 anos: Narrativas de viagens, explorações, invenções, mitos e lendas.

A compreensão aprofundada

Uma vez escolhida a história escrita em um livro, que faça parte de uma gravação, de um filme, um trecho histórico, enfim, de nossa fonte de pesquisa, é necessário estudá-la para ter elementos para preparar a narração, fazer adaptações,escolher se serão utilizados recursos auxiliares e, sendo este o caso, qual é a melhor técnica.
Às vezes pode acontecer de termos mais de uma fonte de pesquisa, em que cada narrativa apresenta peculiaridades próprias, sendo iguais na sua essência, mas
divergindo em detalhes. Neste caso, poderemos escolher uma das versões ou fazer uma média das versões, ressaltando os elementos que preferimos ou que melhor aproveitam a mensagem educacional que ela encerra.
Para estudar uma história é preciso, em primeiro lugar, divertir-se com ela, captar a mensagem que nela está implícita e, em seguida, após algumas leituras, identificar os seus elementos essenciais.

Estudo dos elementos da história

Os seguintes elementos devem ser destacados pois influem diretamente na trama, na
forma da narração, na identificação do público a que se destina e na escolha da técnica de apresentação. São eles:
  • Enredo
  • Personagens principais, secundários e supérfluos e ambientes (local, época, civilização)
  • Cenários (quantas cenas são necessárias para o seu desenvolvimento)
  • Mensagem e conteúdo educacional
Estes elementos também indicarão onde estão as dificuldades para a produção de caracterizações e cenários e quais pontos podemos explorar para dar um colorido especial.

O fluxo do enredo

Uma história pode ser compreendida em 4 partes:

* Introdução
* Enredo
* Ponto Culminante
* Desfecho

Introdução: É o que situará os ouvintes no tempo e no espaço e apresenta os principais personagens. Deve ser clara, sucinta, curta mas suficiente para esclarecer os elementos que comporão a história. Se a versão original não satisfizer todos os requisitos, caberá ao narrador complementá-la com alguma pesquisa ou mesmo com a sua imaginação.

Enredo: A sucessão de episódios, os conflitos que surgem e a ação dos personagens formam o enredo. É importante destacar o que é essencial e o que são detalhes.
O essencial deve ser rigorosamente respeitado, já os detalhes podem variar conforme a criatividade do narrador, a situação que se deseja abordar, as facilidades ou limitações da técnica usada ou mesmo o tipo de audiência.
Às vezes encontramos histórias muito boas para as crianças, mas que trazem uma linguagem árida, difícil para a sua compreensão. Neste caso, é preciso "captar" o essencial da história, a sucessão de fatos que levará à mensagem, para poder transportá-la para uma linguagem que possa ser entendida.

Ponto Culminante: Em uma história bem produzida, o ponto culminante surge como uma consequência natural dos fatos arrolados de forma ordenada e sucessiva.

Uma história poderá conter vários pontos de emoção.
O narrador deverá estudar a intensidade da emoção em cada fato da história e as estratégias para despertar as sensações desejadas. Porém o ponto culminante deverá merecer atenção especial.

Desfecho: A história, seguindo num crescendo, atingiu o ponto culminante e agora só resta terminá-la!
A conclusão deverá ser simples, preferivelmente sem fazer alusão à moral da história ou às lições que ela encerra. Uma boa narração expõe a conclusão: cabe aos ouvintes encontrá-la. Pode-se usar depois da narração uma técnica de debate sobre a história, mas isto seria outra atividade.
No estudo da história, deve-se identificar estas quatro fases, a fim de dar o tratamento adequado a cada uma. É útil fazer um resumo de cada uma delas. Esta sinopse servirá de base para o treino da narração.

Detectando o potencial educacional da história

De acordo com nossa tese, as histórias, além de encantarem e divertirem, são uma importante ferramenta educacional, de forma que faz parte do estudo de cada uma delas detectar em que pontos ela contribuirá com o desenvolvimento de seus ouvintes. 
Todas as histórias contribuem de uma forma ou de outra para a educação, porém diferenciam-se quanto a intensidade e características. Umas desenvolvem a imaginação, outras o senso crítico, por exemplo. O mesmo se dá com a questão dos valores. É preciso destacar os aspectos éticos de cada história para poder enfatizá-los na sua adaptação e narração.
Ter bem claro os objetivos educacionais que cada história atinge facilita o planejamento do educador, que dosará as diversas histórias ao longo do período que tem disponível, tendo em vista um desenvolvimento em todos os sentidos, deforma globalizada.

Determinando o uso de recursos auxiliares


Após estudar bem o enredo da história, seus elementos e a mensagem que ela transmite, ficará claro a que técnica ela se adapta melhor.
A narração simples sempre poderá ser usada, porém é útil determinar neste estudo quais as variações poderiam ser feita se avaliar quais as vantagens que este uso poderá trazer. 
No bojo do estudo de uma história fica mais fácil visualizar que tipo de interação se pode ter com as crianças, tem como que atividades podem ser aplicadas após a apresentação, valorizando e potencializando os efeitos da história.

A personalização


Muitas vezes é interessante apresentar a história às crianças tal como está escrita nos livros, aproveitando o talento de seus escritores e sua maestria em expressá-lo. Mas, na maioria das vezes, o narrador terá necessidade de fazer a sua própria adaptação da história, isto porque ela é:

- muito extensa e detalhada, a apresentação ficaria muito longa, maçante, ou, pelo contrário:
- muito resumida, faltam detalhes, não possui elementos para suscitar a imaginação e sustentar a narração com tempo adequado.

Pode acontecer que uma história tenha no seu enredo um excelente potencial para desenvolver determinado aspecto educacional ou valor ético, mas este não está claro na versão que temos à mão. À medida que vamos estudando, isto irá aparecer e começa-se a visualizar a importância de reforçá-lo na narração que faremos. Assim, será lícito e desejável fazer a adaptação incluindo elementos capazes de enriquecer este aspecto, a fim de torná-lo mais evidente.
As adaptações tornam-se realmente necessárias quando se deseja utilizar determinado
recurso auxiliar.
Quando se utilizam personagens (marionetes, fantoches, bonecões, dramatizações), a daptação deve ser feita transformando a história em diálogos. A trama se desenvolve através de uma sucessão de cenas "interpretadas" pelos personagens.
Quando se está fazendo a adaptação, deve-se antever como será criada a ambientação. Se for possível utilizar cenário, será mais fácil levar os espectadores a imaginar, mas se não for possível, as falas dos personagens deverão descrever o ambiente.
A adaptação deverá atentar também para não colocar em cena muitos personagens, para dar tempo para troca de roupas, colocação de algum adereço, uso de músicas e efeitos especiais.
O ideal é que toda a história se desenvolva por meio dos personagens, porém o uso de um narrador poderá ajudar. Ele fará a introdução, criando a ambientação e apresentando os personagens.
O narrador poderá entrar em cena para solucionar as passagens mais difíceis, que necessitariam de cenário mais elaborado ou que seriam muito longas.
As técnicas de maquete, velcômetro, dobraduras e sombras geralmente não são apresentadas com diálogos, mas por meio da narração de uma só pessoa.
O adaptador, conhecendo bem os recursos da técnica escolhida, deve valorizar os trechos da história que usarão os seus pontos fortes.
É muito interessante arquivar as adaptações feitas, notas, observações, ideias de interações com as crianças e de jogos para serem aplicados posteriormente á narração. 

Bibliografia
DOHME, Vania D'Angelo. Técnicas de contar Histórias. São Paulo, Informal Editora,
2000.

Cortesia de Sandra Carvalho ao Grupo online:  ev.infantil – Yahoo Grupos



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