sexta-feira, 27 de junho de 2014

100 anos de Evangelização Espírita na FEB

Reformador – Junho 2014

Apresentação
A Escola Dominical de Doutrina Cristã foi implantada na tarde do dia 14 de junho de 1914, na então Sede da Federação Espírita Brasileira (FEB), Av. Passos, 30, no Rio de Janeiro, à época sob a gestão do presidente Aristides Spínola (1850-1925) e do vice-presidente Pedro Richard (1858-1914).1,2

Na ocasião, foi realizada solenidade singela, que emocionou os que a assistiam, e coube à Ilka Maas, dedicada e fervorosa obreira da Casa de Ismael, a responsabilidade de coordenar esse projeto, ministrando a aula inaugural e sensibilizando os corações de todos os companheiros presentes ao evento. As vibrações de júbilo pela iniciativa auspiciosa, ocorrida naquela data, a ser comemorada por todo Movimento Espírita brasileiro, foram sentidas pelos participantes, inundando o salão da Federação de suaves eflúvios de paz e regozijo, tendo em vista a alegria de atender, dessa maneira, a uma antiga aspiração da Instituição.2

A importância dessa efe-100 anos de Evangelização Espírita na  Federação Espírita Brasileira Infantil méride para a FEB resultou na coleta de registros históricos dos 100 anos de trabalhos profícuos da Evangelização Espírita Infantojuvenil e da análise sucinta dos itens relacionados, a seguir, com o intuito de prestar sincera homenagem a todos os que contribuíram para esse admirável feito:

1. Precursores
Desde a sua fundação, em 1° de janeiro de 1884, a Federação Espírita Brasileira se preocupou com a formação moral da criança e desenvolveu estudos e debates, além de promover lançamentos  sobre o tema de modo a favorecer subsídios para levar adiante essa nobilíssima proposta.
Com esse objetivo, a FEB editou, em 1901, a obra do Espírito Bittencourt Sampaio (1834-1895), De Jesus para as crianças, pelas mãos do médium psicógrafo Frederico Pereira da Silva Júnior (1858-1914).
O sugestivo livro foi recebido com entusiasmo como recurso indispensável para a promissora e futura ação da Evangelização infantil.1

Os espíritas se tornaram entusiastas com a possibilidade de iniciarem experiências desse porte e se empenharam na procura de propostas junto aos companheiros interessados na luta em prol da Evangelização de crianças e, anos mais tarde, dos adolescentes, entre eles: Manoel Vianna de Carvalho (1874-1926), que se tornou idealizador e executor da campanha em favor da criação da Escola de Evangelho para os pequeninos, na Federação Espírita Brasileira e em outras casas espíritas, ocasião em que  manteve contato com a notabilíssima educadora espírita Anália Franco (1856-1919) e com o confrade capixaba Jerônymo Ribeiro (1854-1926);3

Antônio Lima (1864-1946), que legou exemplos de perseverança em benefício dessa causa e foi considerado um dos pioneiros do ensino espírita-cristão à criança no Brasil. Durante muitos anos, trabalhou para que a infância fosse evangelizada nas instituições espíritas, proferindo importantes conferências sobre o assunto, escrevendo para Reformador e elaborando livros sobre o tema que, quando publicados, esgotavam-se rapidamente.

Outras produções literárias permitiram a solidificação dessa ideia a exemplo do livro para infância de Léon Denis (1846-1927), Catecismo espírita1 e o resumo didático de conhecimentos complementares da obra de Camille Flammarion (1842-1925) Iniciação astronômica.1

2. Anos iniciais
No primeiro ano de existência da Escola Dominical de Doutrina Cristã foram matriculadas 36 crianças, de 8 a 12 anos, com grande aproveitamento para os alunos (evangelizandos).2
A seareira Ilka Maas se entregou de coração à tarefa, auxiliada por sua filha Ilkita Maas, constituindo-se a proposta em interessante modelo, o único no gênero em toda a comunidade espírita do Brasil. Por motivos de saúde, porém, a preclara confreira permaneceu à frente dos trabalhos por apenas um ano, sendo substituída pela prestimosa educadora Maria Eugênia de Lima. A dedicada senhora, todavia, afastou-se da tarefa à procura de tratamento para delicada doença.
Mais uma vez, nova companheira necessitou assumir a direção da Escola, ficando a cargo da competente professora Ritília Moreira de Sá,2 catedrática da Escola Normal, a incumbência de dar prosseguimento à obra programada, o que executou com louvor.2

Em pouco tempo, o movimento iniciado em 1914 se expandiu para todo o País com a criação de novos agrupamentos de evangelização para a infância, tornando se a proposta vitoriosa, após os ingentes esforços dos trabalhadores persistentes da primeira hora. Inspirado por esse nobre empreendimento, o Conselho Federativo da FEB, reunido em outubro de 1926, dedica ao tema de uma de suas teses, intitulada Noções de Espiritismo para as crianças, quando estimula a Federação Espírita Brasileira a continuar no trabalho até então desenvolvido e indicar às Sociedades adesas a utilização dos cursos em andamento, bem como a literatura mais aceitável para o ensino do Evangelho à infância. Em 1927, um ano após a reunião do Conselho Federativo, a Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira oferece a quinta edição francesa, traduzida, do “opúsculo de A. Bonnefout, Lições de espiritismo para as crianças, que foi largamente divulgado e distribuído graciosamente”1 para as Escolas de Evangelho.1

Em meados de 1932, na gestão do presidente Luís Olímpio Guillon Ribeiro (1875-1943), cerca de 50 grupos, asilos, centros, federações, mantinham aulas de educação moral-cristã, conforme exemplo da FEB, formando os futuros espíritas para o trabalho benfazejo de expansão da Doutrina. No decorrer desses anos iniciais, o trabalho prosseguiu, sem grandes contramarchas, desempenhando sua abençoada tarefa de preparar as novas gerações à luz do Espiritismo-cristão.2

Em 1939, é editado pela FEB o primeiro volume do livro Sementeira cristã, do saudoso autor espírita Clóvis Tavares (1915-1984), com prefácio de Leopoldo Machado (1891-1957), seguindo-se-lhe o segundo, em 1940, e o terceiro, em 1942. A obra, em três tomos, qualificou-se como um ótimo compêndio de fundo doutrinário destinado à formação das crianças e dos adolescentes.

3. Lançamento de Programas de Ensino e outras atividades sucedâneas infância e juventude
Os registros históricos apontam, no início da década 1940, uma interrupção das aulas infantis, que perdurou até 1946, sobretudo em função da carência de trabalhadores para execução de tarefas junto à meninada. Naquele ano, o digníssimo confrade Carlos Lomba (1886-1958), apoiado pelo então presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas (1895-1974), assume a direção da Escola de Evangelho,2 que há muito vinha sendo assim intitulada em substituição ao nome dado anteriormente, desde a sua origem.2
A coordenação do insigne companheiro, chamado carinhosamente de “vovô Lomba” pelas crianças, imprimiu novos impulsos pedagógicos à escola, crescendo em atividades, mormente nos trabalhos realizados pelos jovens em benefício da evangelização infantil.
Em dezembro de 1950, interessante Programa de Ensino de Educação Cristã da Infância  segundo a Doutrina Espírita, foi lançado pela FEB e encaminhado a todas as instituições que ministravam aulas do gênero, consoante se tinha notícia na época. Seu principal objetivo era “despertar na criança o mais vivo interesse pelas aulas de moral-cristã”, com a integração das faixas etárias e dos ciclos correspondentes: Jardim da Infância (3 a 6 anos), Curso Primário (7 a 10 anos), Curso Intermediário (11 a 13 anos).4
O Programa, elaborado pelo Departamento de Infância e Juventude (DIJ), destacava-se pela simplicidade, pelo cuidado em atender às necessidades educacionais da infância e pela qualidade pedagógica a motivar, constantemente, o evangelizando para sua compreensão do ensino doutrinário.
A proposta foi aprovada pelo Conselho Federativo Nacional instalado em 1° de janeiro de 1950, em substituição ao antigo Conselho Federativo da FEB, a qual recomendava às Sociedades Espíritas adotassem o referido Programa, como preceituado no item 29, dos “Preceitos Gerais – Pró-Unificação do Espiritismo Nacional”.5
O DIJ, para fins de ações práticas, dividia-se em Departamento de Juventude e Secretaria de Assuntos Infantis, cabendo aos jovens auxiliar e assessorar os trabalhos da infância, junto ao Departamento, integrando-se à equipe do Dr. Lomba para essa incumbência.6
Uma das atuações do grupo da juventude se refere à ajuda nas tarefas para confecção do jornal Brasil-Espírita, publicado mensalmente pela FEB e distribuído gratuitamente para as entidades que se inscreveram solicitando a remessa, bem como também vendido aos interessados.
Em 1954, com o afastamento de Carlos Lomba, após muitos anos de direção dos labores executados com magnífica eficiência e zelo, a coordenação do DIJ fica a cargo de Alberto Nogueira da Gama (1918-2003), que se manteve fiel à linha de ação traçada para a evangelização, junto ao cenário espírita nacional.1
Ainda em 1951 a Escola de Evangelho passa a se intitular Escola de Evangelho Maria de Nazaré, criada para se constituir em modelo ou padrão para todas as demais existentes pelo Brasil afora.
Seu funcionamento foi aperfeiçoado, com vistas à maior eficácia dos cursos, dividindo-se em três ciclos:
Jardim da Infância (4 a 6 anos); Primário (7 a 9 anos) e Intermediário (10 a 12 anos). As salas sofreram modificações apropriadas de modo a obter os melhores resultados na aprendizagem por parte dos evangelizandos.
Tempos mais tarde, início dos anos 1960, como desdobramento natural das atividades escolares, a “Reunião de Pais e Orientadores”1 passou a ser realizada periodicamente, tornando-se indispensável complemento de capacitação das pessoas envolvidas no processo de evangelização. Nessa fase, é incorporado ao plano de distribuição de ciclos um novo “ciclo de adolescentes”, cujo limite de idade foi então estabelecido entre 13 e 16 anos.1
O conteúdo do Programa foi retocado e enriquecido para que os jovens conseguissem ingressar nas Mocidades ou Juventudes Espíritas a partir dos 17 anos.1
No período de 1960 a 1974, inúmeros seareiros da Casa de Ismael se consagraram ao ensino espírita de crianças e adolescentes.
Nas anotações históricas, identificamos importantes eventos ocorridos em nível  nacional, destacando a 1ª Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil –Comjeb, em Marília, São Paulo, de 14 a 18 de abril de 1965. O Encontro foi presidido pela FEB, representada pelo então vice-presidente Armando de Oliveira Assis (1911-1988), reunindo aproximadamente mil jovens de todos os estados brasileiros,* sob os auspícios da Federação Espírita Brasileira, a quem coube a orientação do certame, através de medidas adotadas por seu Conselho Diretor. O acontecimento se sobressai pela influência que ele exerceu sobre o movimento da juventude espírita do país, ao estimular a promoção de várias confraternizações estaduais, obtendo excelentes resultados até os dias de hoje.7
A partir de 1970, a Federação Espírita Brasileira, sob a presidência do Dr. Armando de Oliveira Assis, promoveu mudanças estruturais junto ao DIJ, que passou a ser denominado Coordenadoria de Infância e Juventude, tendo como coordenadora a confreira Aglaée de Queiroz Carvalho, também redatora-coordenadora do Brasil Espírita, devotada colaboradora da FEB, que acompanhou o desenvolvimento das atividades, anteriormente planejadas, da Escola de Evangelho Maria de Nazaré.

4. Atualização e dinamização da evangelização – Implantação da Campanha Nacional de Evangelização Espírita Infantojuvenil
Em 1975, o Departamento de Infância e Juventude, sob a direção da insigne obreira Maria Cecília Paiva Barros (1912-1995) e do presidente Francisco Thiesen (1927-1990), retoma a sua antiga denominação. A época de transição propiciou aos diligentes seareiros empreender e desenvolver novos Programas e Currículos, ao ritmo de crescentes e incessantes atualizações.
Como órgão consultivo de assessoramento do DIJ, criou-se uma Comissão Central, sob a direção de Maria Cecília Paiva Barros e subdireção de Leny Marilda B. de Carvalho, à qual cabia opinar, avaliar, sugerir medidas e oferecer subsídios para diligência da Evangelização Infantojuvenil no Movimento Espírita Nacional. A equipe, altamente qualificada e formada por pessoas de várias regiões do Brasil,** foi escolhida pela Diretoria da FEB, com a aquiescência e indicação do diretor do DIJ, estabelecendo-se, como critério de seleção, que fossem indicados tarefeiros de “reconhecida vivência espírita-cristã que, no território brasileiro, estivessem participando ativamente da Evangelização da Criança e do Jovem”.8
A Comissão Central deu andamento às providências decorrentes das deliberações tomadas no Encontro Nacional de Brasília, em julho de 1976, com o apoio do CFN. Ampliou pontos que teriam sido discutidos na oportunidade, especialmente sobre a Campanha a ser lançada, intensificando ações que atendessem às medidas para a divulgação do material alusivo à urgência da evangelização das novas gerações e ao papel expressivo que cabe ao Espiritismo na execução desse programa.
O trabalho gerou promissores frutos e definiu a dinâmica pedagógica essencial a ser fixada para as mudanças que se iniciavam. O aspecto primordial a ser considerado pela Comissão Central para concretização das providências de difusão do movimento da Evangelização de crianças e jovens foi partir da experiência e da contribuição dos Estados que já trabalhavam há longo tempo neste campo de atividade espírita.9
O Encontro Nacional, de 1976, ressaltado acima,  originou-se da proposição apresentada pela Federação  Espírita do Rio Grande do Sul, no Conselho Federativo  Nacional, de 1° de novembro de 1975, de realizar um  evento que reunisse todos os confrades das Federativas Estaduais, responsáveis pelo trabalho da Evangelização, com o objetivo  de planejar ações integradas de aprimoramento e expansão da educação  moral-cristã. Do mesmo modo, na oportunidade, a Federação Espírita  de Sergipe sugeriu que as Federativas deveriam opinar por escrito sobre  a situação da Evangelização em seus estados. 10
A partir dos resultados das  conclusões a que chegaram as Federações e do conclave efetuado entre  elas, a FEB decidiu lançar no dia 9 de outubro de 1977 a Campanha Nacional de Evangelização Espírita Infantojuvenil, que vigoraria até junho de  1978. Vencido, porém, esse período, o CFN, no dia 1° de julho daquele  ano, aprova por unanimidade a proposta feita pela presidência da FEB,  de mantê-la em caráter permanente, passando a se intitular: Campanha  Permanente de Evangelização Espírita Infantojuvenil.Era o reconhecimento  de que a Campanha havia sido vitoriosa no seu lançamento e de que os tarefeiros, conscientes desse trabalho,  levaram a sério a sua finalidade,  principalmente a ser robustecida pelas instituições espíritas quanto à  necessidade de criar, manter e dinamizar o projeto da Evangelização.1

5. Evolução dos Programas e Currículos
Em 1980, assume a direção do DIJ a ilustre professora Cecília Rocha (1919-2012), que formularia a orientação decisiva para dinamização, organização e desenvolvimento das escolas de evangelização espírita, no Campo Federativo Nacional.
A saudosa confreira, detentora de respeitável cabedal de conhecimentos e experiências em assuntos pedagógicos, tornou-se ativa trabalhadora do Movimento de Evangelização Espírita de crianças e jovens de seu estado, na Federação Espírita do Rio Grande do Sul (Fergs) e demais instituições, e atuou na Comissão Central do DIJ, desde 1975, trazendo preciosa colaboração com base nas significativas ações desenvolvidas nessa área, desde a década de 1950.12
O “Currículo para as Escolas de Evangelização Espírita Infantojuvenil”, que foi objeto de apreciação do Conselho Federativo Nacional, em reunião de 1° e 2 de julho de 1978, e publicado nesse mesmo ano, em forma de apostila, foi revisto e reeditado, em 1982, no formato de opúsculo, ganhando novas orientações e sendo distribuído para todo o Movimento Espírita. Sua 2ª edição foi vertida para o espanhol, confirmando as expectativas de levar a evangelização de crianças e jovens a outros países, já visitados por ocasião do lançamento da Campanha Nacional, no Brasil e no Exterior.13
As primeiras viagens, a partir de 1979, ainda na gestão de Maria Cecília Paiva Barros e ao lado de Divaldo Pereira Franco e Nilson de S. Pereira, foram feitas à Argentina, Uruguai e Chile e, meses mais tarde, Colômbia, Venezuela, Panamá, Guatemala, México, Estados Unidos da América do Norte, República Dominicana e Porto Rico. Posteriormente, a partir de 1980, Cecília Rocha voltou a visitar alguns desses países, dando continuidade ao trabalho iniciado. Do mesmo modo, alguns países europeus se interessaram em implantar Escolas de Evangelização para as crianças: Portugal, França e Suíça, assessorados por Cecília Rocha e sua equipe.14
No decorrer dos anos, o Currículo sofreu modificações para atualização de seus aspectos pedagógicos, sob a responsabilidade da eficiente educadora Rute Vieira Ribeiro, nova diretora do DIJ – de 1984 a 2009 – em substituição a Cecília Rocha que, tendo assumido a vice-presidência da FEB, em 1983, sem deixar, todavia, de atuar junto à evangelização, muito contribuiu para a eficiência dos trabalhos realizados na área Federativa e no Campo Experimental de Brasília.
Em 1981, os primeiros Planos de Aula elaborados em 1978 pelo DIJ, com a ajuda de colaboradores espíritas de várias regiões do Brasil, e remetidos às escolas de evangelização interessadas em utilizá-los, passaram a ser testados nos Campos Experimentais de Brasília e do Rio de Janeiro. Os planos tiveram excelente receptividade e foram organizados em coleções, impressas e distribuídas para o País e o Exterior. Grande foi a produção de materiais destinados às necessidades da prática pedagógica.13
Os cursos de preparação de evangelizadores, encontros e palestras com temática específica foram estendidos, largamente, para o Norte, Noroeste, Centro–Oeste e Nordeste do Brasil, sem deixar de atender às solicitações do Sul e do Sudeste do país, estendendo-se também a países de outros continentes, com realização de eventos no Brasil e no Exterior. Nesse sentido, avaliamos a eficácia dos Encontros Nacionais de Diretores do DIJ, realizados até os dias de hoje.15
A evangelização de crianças e jovens, pois, tornou-se uma realidade no Brasil, graças ao empenho desenvolvido pela Federação Espírita Brasileira e pelas Federativas Estaduais, sobretudo a partir de 1986 quando foram implantadas as Comissões Regionais, pelo Conselho Federativo Nacional (aprovação em 2 de novembro de 1985), em substituição aos Conselhos Zonais, e foi criada a Área de Infância e Juventude, junto ao CFN, com ampla abrangência e atuação nos Estados, garantindo, essencialmente, a unidade de princípios e objetivos da teoria e da prática da evangelização infantojuvenil. Outro ponto a considerar é que o DIJ, na gestão da presidência do Dr. Juvanir Borges de Souza, desde meados da década de 1990, integrou-se ao Departamento de Assistência Social (DAS) no intuito de evangelizar crianças e jovens de famílias assistidas pela FEB, como ação efetiva e primordial em proveito de sua educação moral-cristã, procurando exemplificar na vida prática os ensinamentos recebidos na Instituição Espírita. Tal iniciativa continua em execução no Departamento de Assistência Social do Rio de Janeiro e de Brasília.16

6. Literatura Infantojuvenil
A FEB, em todos os tempos, vem publicando livros para a infância e a juventude, elaborados com o objetivo de colocar ao alcance, especialmente das crianças, as noções básicas da Doutrina Espírita, através de histórias atrativas para todas as idades e níveis de interesse. Foi em abril
de 1946, que Francisco Cândido Xavier (1910-2002) psicografou os dois primeiros livros dedicados à fase infantil, de autoria do Espírito Veneranda:O caminho ocultoe Os filhos do grande rei.17
A partir dessa data, vários livros do gênero foram psicografados pelo preclaro médium, entre eles: Mensagem do pequeno morto, do Espírito Neio Lúcio, e Pai Nosso, do Espírito Meimei.
As publicações de divulgação, como o opúsculo A evangelização espírita da infância e da juventude na opinião dos espíritos,separata de matéria publicada em Reformador, edição de outubro de 1982, e o livro Sublime sementeira, editado em 2012, contribuíram para motivar o ânimo dos companheiros que labutam em favor dessa abençoada causa, contendo mensagens e entrevistas dos benfeitores espirituais, através dos médiuns Divaldo Pereira Franco e Júlio Cezar Grandi Ribeiro (1935-1999).

Finalizando

De 2009 a 2013, dirigiu o Departamento de Infância e Juventude a dedicada educadora Miriam Lúcia Masotti Dusi, sendo substituída pelo professor Cirne Ferreira de Araújo, a partir deste ano,  que assumiu também a coordenação da Área Nacional de Infância e Juventude do CFN. Atualmente, o DIJ tem procurado alternativas pedagógicas  inovadoras e viáveis, principalmente com o intuito de criar ensejos especiais para integração das crianças, dos jovens, e de suas famílias, buscando  espaços mais acolhedores de convivência e confraternização.
Um dos pontos culminantes do trabalho, junto aos jovens, está direcionado para a participação de oficinas em ações de diferentes áreas de interesses, sem negligenciar a abordagem e a discussão de temas relacionados ao seu cotidiano, à luz do Evangelho e do Espiritismo.
O Campo Experimental de Brasília, que inclui o Lar Frederico Fígner e o Núcleo Espírita Guillon Ribeiro, atende 725 evangelizandos, dos quais 142 são jovens. Na Sede Histórica da FEB, no Rio de Janeiro, são evangelizadas 50 crianças, dos grupos assistenciais, organizando-se o atendimento de acordo com a faixa etária. O trabalho, em Brasília e no Rio de Janeiro, reúne dezenas de voluntários, entre evangelizadores e equipes de apoio. A formação continuada de preparação dos trabalhadores da evangelização representa ação relevante que objetiva promover a crescente qualidade da tarefa.
É imprescindível enaltecer os inúmeros obreiros que se dedicaram à divulgação e ao desenvolvimento da Evangelização Espírita de crianças e jovens, no decorrer desse século, bem como os que ainda labutam para o crescimento e maior êxito dessa sublime semeadura! São os “abençoados lidadores da orientação espírita, entregando-se afanosos e de boa vontade ao plantio da boa semente!”.18
Notas
*N.R.: O evento reuniu jovens dos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Guanabara, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Distrito Federal, Sergipe e São Paulo (organizador do Encontro).
**N.R.: A Comissão Central era constituída dos seguintes membros: Maria Cecília Paiva Barros (diretora); Leny Marilda B. de Carvalho (subdiretora); Adhemar José de Carvalho (secretário); Cecília Rocha (RS); Abel Glaser (SP), Julio Cesar Grandi Ribeiro (ES); Lamartine Palhano Júnior (ES); Walace Fernando Neves (ES), Nélia Georgina Salles (BA); Darcy Neves Moreira Ferreira (RJ); Acácia Barreto da Motta Messano (RJ); José Jorge (RJ); José Carlos da
Silva Silveira (DF), Maria da Paz de Oliveira Ribeiro (PR); Eurídice Oliva (SP); Lúcio de Abreu (MG) e convidados para algumas reuniões: Merhy Seba (SP) e Terezinha Lizi da Silva (SP).

Referências:
1 REFORMADOR. ano 82, n. 8, p. 11(177)- 14(180), ago. 1964. A FEB  e a Criança – 50 anos. Ver também Reformador, p. 231, jul. 1914.
2 ____. ano 69, n. 9, p. 17(209)-18(210), set. 1951. Origem das
“Escolas de Evangelho para infância”.
3 KLEIN FILHO, Luciano. Vianna de Carvalho e o seu projeto de fundação das Escolas de Moral Cristã na Federação Espírita Brasileira.  Reformador. ano 131, n. 2.221, p. 52(242)-53(243), abr. 2014.
4 FEB/CFN. Opúsculo do Programa de Ensino para as Escolas de  Evangelho segundo a Doutrina Espírita. Posfácio de Carlos Lomba.  Rio de Janeiro, 1950. p. 1-22.
5 CARVALHO. Antonio Cesar Perri de. (Org.) Orientação aos órgãos  de unificação. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Síntese Histórica das  Ações do Conselho Federativo Nacional, p. 13 a 19.
6 FEB/CFN.  Opúsculo do Programa de Ensino para as Escolas de  Evangelho segundo a Doutrina Espírita. Rio de Janeiro, 1950. p. 19.
7 ____. Regulamento da 1ª Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil. Marília (SP), 1965 e Relatório Geral do Encontro, p. 1 a 12.
8 REFORMADOR. ano 94, n. 1,773, p. 36(376), dez. 1976. FEB – DIJ – Comissão Central.
9 FEB/CFN. Encontro Nacional – Documento dos itens do temário. Brasília, 1976.
10 CAMPETTI, Carlos R. 10 anos de Campanha Permanente. Reformador.ano 105, n. 1.896, p. 17(77)-18(78), mar. 1987.
11 FEB/CFN. Departamento de Infância e Juventude. Apostila do IV  Encontro Nacional de Dirigentes do DIJ, julho de 2002.
12 REFORMADOR. ano 130, n. 2.205, p. 32(470)-33(471), dez.  2012. Cecília Rocha.
13 CAMPETTI, Carlos R. 10 anos de Campanha Permanente. Reformador.ano 105, n. 1.898, p. 17(141)-18(142), mai. 1987.
14 ____. ____. Reformador.ano 105, n. 1.902, p. 25(277)–27(279), set. 1987.
15 ____. ____. ano 105, n. 1.900-1.901, p. 31(219)-33(221);  29(249)-31(251), jul.-ago. 1987, respectivamente.
16 FEB/CFN. Manual de apoio ao Sapse. Rio de Janeiro: FEB, 2007.  Serviços de Assistência e Promoção Social Espírita. Entrosamento  do Sapse com as diversas áreas do Centro, p. 75 a 77.
17 SCHUBERT, Suely Caldas. Reeditados dois clássicos da literatura infantil. Reformador. ano 102, n. 1.864, p. 10(198)-11(199), jul. 1984.
18 RIBEIRO, Guillon (Espírito). Julio Cezar G. Ribeiro (Médium).  Mensagem recebida em 1963, durante o 1° CIPE, realizado pela  Federação Espírita do Estado do Espírito Santo.