sexta-feira, 14 de março de 2014

Os pais e a juventude espírita

Na juventude, tudo toma uma proporção maior

 A Juventude é uma das mais interessantes fases da existência humana. Na juventude lidamos com medos, incertezas, dúvidas envolvendo relacionamento afetivo e profissão, autoafirmação, busca pela aceitação, conflitos íntimos e uma infinidade de situações. Não que nas demais fases da existencia não se passe por isso, todavia, na juventude, talvez pela vivacidade ou efervescência dos hormônios, tudo toma proporção muito maior e, as vezes, até assustadora. Tanto é que inúmeros jovens ficam à margem do caminho e entregam- se aos vícios de todos os matizes porque não souberam lidar com os desafios que se apresentam. 
Também há aqueles e aquelas que sucumbem às paixões avassaladoras e precipitam-se pelos caminhos do sexo antes do amor, as garotas acabam por engravidar e muitas vezes os garotos acabam por “sumir” às responsabilidades. Nascem assim famílias incompletas em que crianças educam crianças. O resultado na maioria das vezes compromete a educação do conjunto porque as garotas são mães despreparadas e têm de relegar a própria educação a segundo plano para cuidar do filho que chega.
Mas há também a questão que envolve as drogas de todos os matizes, incluindo nesse rol o álcool que, lamentavelmente, conta com a complacência dos pais e da sociedade. As primeiras experiências dos jovens com bebidas alcoólicas se dão geralmente na presença dos pais que muitas vezes estimulam o adolescente a experimentar. O jovem adentra o mundo das drogas, não raro, pela larga porta da curiosidade, muitas vezes promovida pela falta de diálogo com os pais ou ainda para ser aceito na turma de “amigos”.
Daí a importância da família na formação de valores do Ser. A base familiar é fundamental para ajudar o jovem a superar seus dilemas íntimos sem grandes atropelos. Nesse quesito o conhecimento es- pírita ganha significativo destaque porquanto oferece bases sólidas para um comportamento digno e regrado.
Kardec fez questão de pautar o Espiritismo pela ótica da educação sistêmica do Ser; uma educação que visa além das conquistas intelectuais desenvolver o senso moral construindo joias como a fraternidade, solidariedade, compreensão e altruísmo no coração humano; ou seja, uma educação que chacoalha o espírito em busca de seu auto- descobrimento.
No entanto, forçoso admitir que Kardec e a Espiritualidade ofereceram a teoria. A questão prática da aplicação dos princípios espíritas na educação dos jovens compete aos pais e educadores ministrar. Se os princípios espíritas não forem aplicados, infelizmente o Espiritismo torna-se apenas páginas bem escritas, simplesmente páginas bem escritas. Não era este o objetivo do codificador, sua intenção foi mostrar que o Espiritismo deve ser aplicado nas relações humanas, principalmente nas que estão sacramentadas pelos laços de família, propiciando aos pais guiar os filhos pelas veredas seguras do ideal cristão, facilitando caminhos e apontando diretrizes aos jovens em suas mais complexas dúvidas existenciais.
Portanto, cabe aos pais adaptar a linguagem espírita à realidade do jovem, deixando o conhecimento acessível e agradável para que mais fácil seja sua assimilação, para isso não é necessário grandes prodígios, apenas criati- vidade e estudo das obras básicas de Allan Kardec. 

Wellington Balbo
wellingtonbalbo@tribunaespirita.org
Jornal Tribuna Espirita – Dezembro 2013